Somos mulheres e somos psicólogas. O 8 de março também é nosso!

Somos muitas e somos muito diferentes entre nós. Somos psicólogas lésbicas, heterossexuais, negras, brancas e de diversas etnias, cis, transexuais, e estamos em todos os cantos do estado do Paraná. Trabalhamos nas cidades, no campo, na clínica e nas políticas públicas. Somos psicólogas do Trânsito, das organizações e do trabalho, atuamos nas escolas, no esporte, nos Sistemas de Justiça, atuamos em desastres e emergências. Algumas de nós têm religião, outras não, mas buscamos todas colocar nossa profissão a serviço das pessoas, para diminuir o sofrimento, tão agravado pelas condições difíceis que atravessa não só o Brasil, mas a humanidade. Somos mulheres psicólogas! O 8 de Março também é nosso!

Ainda temos muito a avançar, veja porque:

 

Igualdade salarial entre homens e mulheres! É um direito nosso!

Assédio moral contra psicólogas: uma situação que merece atenção

Assédio sexual, uma realidade também para as psicólogas

Deslegitimação do trabalho: porque os homens acham que sempre tem a última palavra para tudo?

Psicóloga, mãe, esposa, dona de casa…

Igualdade salarial entre homens e mulheres! É um direito nosso!

“As mulheres ganham menos do que os homens em todos os cargos”, é o que aponta uma pesquisa da Catho (2017) que avaliou 8 funções, de estagiário a gerente. O estudo aponta que homens podem ganhar até 62% mais do que mulheres, exercendo as mesmas funções. Neste sentido, o IBGE revela que a renda média nacional do homem brasileiro é de R$ 2251,00, enquanto a de mulheres é R$ 1762,00, uma diferença de quase 500 reais.

Entre as(os) profissionais de Psicologia, a média salarial das mulheres é de R$ 3.497,00, 30% superior à dos homens, que é de R$ 2676,00, segundo estudo elaborado pelo CFP em parceria com o Dieese em 2016. No entanto, o que parece um “ponto positivo”, logo cai por terra. A hora média de trabalho das mulheres equivale a R$ 27,76 enquanto a dos homens vale R$ 37,68, logo, 36% a mais. Ou seja, mulheres psicólogas têm rendimentos maiores do que os homens psicólogos porque trabalham mais horas ao mês.

A herança cultural machista e a entrada tardia das mulheres no mercado formal de trabalho ajudam a entender este quadro de desigualdade. Além disso, empregadores costumam entender que mulheres teriam menos disponibilidade por conta da atenção à casa e à família, o que acaba ampliando a diferença salarial entre mulheres e homens. Apesar disso, as(os) Psicólogas(os) tem contribuído para a eliminação dessas diferenças pautando o assunto e muitas empresas vêm se preocupando com essa diferença salarial, com políticas de diversidade implementadas para reduzir essa desigualdade. Essa é uma mudança essencial porque se compreende que não é possível uma igualdade de direitos enquanto não há igualdade salarial.

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Assédio moral contra psicólogas: uma situação que merece atenção

O assédio moral no trabalho é uma violência que consiste na exposição prolongada e repetitiva dos trabalhadores a situações vexatórias, constrangedoras e humilhantes, praticadas por uma ou mais pessoas. As práticas de assédio podem acontecer tanto dos chefes para seus subordinados, dos subordinados para seus chefes ou entre os colegas de trabalho. São práticas frequentes e prolongadas que podem culpabilizar, ofender, ridicularizar, inferiorizar, amedrontar, isolar ou desestabilizar emocionalmente as(os) profissionais, colocando em risco sua saúde física e psicológica, além de afetar seu desempenho e o próprio ambiente de trabalho.

A vítima de assédio moral, no entanto, não necessariamente é uma pessoa frágil. Muitas vezes elas têm características entendidas pelo agressor como ameaçadoras ao seu poder, porque reagem ou não se submetem ao autoritarismo.

Um dos agravantes do assédio moral se dá com mulheres. É comum que recursos machistas como “levantar a voz” ou insinuações de que mulheres são menos capazes intelectualmente, sejam utilizados para diminuir as profissionais. E, infelizmente, esta é a realidade vivida por muitas psicólogas em seus ambientes de trabalho, especialmente naqueles compartilhados com grandes equipes, como na saúde mental, assistência social ou no RH. Além disso, psicólogas podem ser pressionadas a incorrer em faltas éticas, em seu ambiente de trabalho, por conta das investidas de seus empregadores.

A melhor resposta para o assédio moral é a denúncia para o sindicato, nos Centros de Referência em Saúde do Trabalhador (CEREST), no Ministério Público do Trabalho ou no próprio Ministério do Trabalho e Emprego. No entanto, nem sempre é fácil denunciar. A batalha para recuperar a dignidade, a identidade, o respeito no trabalho e a autoestima deve passar, sobretudo, pela solidariedade e a organização coletiva entre as(os) profissionais.

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Assédio sexual, uma realidade também para as psicólogas

O assédio sexual pode ser definido como investidas de caráter sexual, não aceitáveis ou não requisitadas, com contato verbal ou físico que criam uma atmosfera ofensiva ou hostil. É um tratamento discriminatório que também pode ocorrer com homens, mas que muito mais frequentemente recai sobre mulheres.

No ambiente de trabalho estas situações podem coagir Psicólogas e prejudicar muito o exercício profissional. Mas quais situações podem configurar um assédio sexual? Inúmeras, mas podemos citar desde piadas com caráter obsceno e sexual, mostrar ou partilhar imagens ou desenhos explicitamente sexuais, notas, mensagens ou ligações de natureza sexual, assobios ou sons inapropriados, questões inapropriadas sobre a vida sexual de cada um, toques, abraços, beijos ou encostar no corpo do outro sem permissão, até os ataques e violências físicas.

No entanto, não apenas empregadores ou colegas de trabalho podem praticar assédio sexual, mas também pacientes ou clientes. Esta é uma situação muito sensível, sobretudo para as Psicólogas mulheres, à medida que a relação de certa intimidade e a própria definição de fronteiras e limites ao paciente faz parte do processo terapêutico. Também as condições de trabalho das Psicólogas podem interferir nestas situações: você já sentiu medo de sofrer alguma violência sexual ao atender sozinha, até tarde da noite, em seu consultório? Já sentiu ameaçada ao fazer alguma visita domiciliar à um homem sozinho em casa? Infelizmente esta é a realidade de diversas profissionais e precisamos juntas enfrentar estes casos.

Se você sofrer alguma situação de assédio sexual, você pode procurar o RH de sua empresa, seu sindicato, o MPT ou mesmo o Ministério do Trabalho e Emprego. O importante é buscar formas para se fortalecer e não calar.

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Deslegitimação do trabalho: porque os homens acham que sempre tem a última palavra para tudo?

Psicóloga, você já participou de uma reunião, tentou falar e era constantemente interrompida por algum homem, que se impunha sobre você levantando a voz? Ou em alguma situação em que estava defendendo sua opinião ou ideia e ninguém lhe parecer dar ouvidos, mas logo em seguida um homem repete exatamente o que você disse e ele é aprovado por todos? Infelizmente estas situações são mais comuns do que você imagina.

Psicólogas e Psicólogos muitas vezes trabalham em equipes, especialmente nas políticas públicas. A composição multiprofissional desses coletivos é muito importante, mas pode representar desafios especialmente no que diz respeito à relação com profissionais cujas atribuições sociais são de “chefes” ou “gestores”, como os médicos. Muitas vezes, Psicólogas são inferiorizadas não só porque são Psicólogas, mas porque são mulheres.

Além disso, são comuns as situações de machismo em reuniões e palestras mistas, quando as Psicólogas não conseguem concluir sua frase por ser constantemente interrompida pelos homens ao redor. Ou então em carteis, grupos de estudo ou supervisões coletivas, em que colegas homens dedicam seu tempo para explicar algo óbvio a uma mulher, de forma quase infantil, como se ela não fosse capaz de entender. Mesmo que não intencionalmente, essas ações visam tirar a confiança, o respeito e a autoridade das mulheres sobre o que estão falando. Nestes casos, sempre que possível, é importante pontuar que a situação ocorreu e pautar a questão nas discussões acerca do desenvolvimento do ambiente de trabalho.

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Psicóloga, mãe, esposa, dona de casa…

As mulheres brasileiras, entre elas as Psicólogas, trabalham em média 7,5 horas a mais que os homens, por semana. Isto por conta da dupla jornada de trabalho, especialmente referente às tarefas domésticas e de cuidados com a casa e família, não remuneradas e geralmente delegadas às mulheres. Os dados são de 2017, da pesquisa Retrato das Desigualdades de Gênero e Raça, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA).

Por conta das relações de desigualdade entre mulheres e homens, a responsabilidade sobre o trabalho de cuidado continua dificultando a participação da mulher no mundo do trabalho em condições iguais às dos homens. A sobrecarga de trabalho e o próprio cansaço podem acabar prejudicando o exercício profissional das Psicólogas em relação aos dos Psicólogos. Não são poucas as profissionais que trabalham o dia todo (muitas vezes em jornadas longas, de 10 a 12 horas diárias) e que quando chegam em casa ainda precisam dar conta de diversas tarefas domésticas que poderiam ser compartilhadas ou revezadas com os homens.

As mulheres são especialmente afetadas com a situação econômica do país e as propostas de alteração nas leis previdenciárias. As dificuldades para alcançar a aposentadoria são especialmente nítidas entre as psicólogas, visto que temos uma maioria de profissionais autônomas(os) entre os que trabalham com a Psicologia. Dados do DIEESE apontam que 42% das(os) psicólogas(os) brasileiras(os) trabalham “por conta própria”, em comparação a 22,6% que trabalham com registro na carteira.

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