Psicóloga destaca sinais do autismo e fala sobre importância do acompanhamento a paciente e familiares

O Transtorno do Espectro Autista (TEA), condição que afeta comportamentos e habilidades sociais, está presente da vida de cerca de 70 milhões de pessoas no mundo todo. De acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), uma a cada 160 crianças no mundo possui algum nível de autismo. Segundo a presidente da Associação União de Pais Pelo Autismo (Uppa), Adriana Czelusniak, estima-se que aproximadamente dois milhões de pessoas no Brasil apresentam algum nível do Transtorno – 20 mil apenas em Curitiba. 

O autismo é caracterizado por diversos graus de deficiência em habilidades de comunicação e interações sociais e por padrões de comportamento restritivos e repetitivos. A Psicóloga Clarice Moro Ricobom (CRP-08/07931) afirma que, em alguns casos, os sinais para identificar o transtorno podem ser percebidos desde muito cedo. “São crianças muito isoladas, muito fechadas, tanto que o primeiro sinal de autismo que a gente percebe no bebê é o não olhar nos olhos, evitar o contato visual. São bebês que, quando estão mamando, por exemplo, não olham para o rosto da mãe, mamam olhando para a luz. Algumas terão atrasos na linguagem, podendo até não falar”, diz. 

Segundo Clarice, é comum associar o autismo às pessoas, principalmente crianças, que não têm sentimentos ou não criam laços afetivos. No entanto, isso não é verdade. “Às vezes elas não sabem como demonstrar ou como se relacionar, e a gente também às vezes não sabe como interpretar o que elas estão sentindo ou querendo dizer. Depende muito de cada criança, tem criança que vem, beija, abraça, mas tem crianças que não toleram o contato, e aí você forçar isso é muito agressivo para ela. É um olhar para cada criança individualmente”, afirma a Psicóloga. Assim, o trabalho com as crianças é feito no sentido de estimular o prazer da socialização.

Familiares

A família de uma pessoa com TEA também precisa de orientação e de cuidados terapêuticos, pois os extensos e permanentes períodos de dedicação podem prejudicar a vida pessoal de todos os envolvidos. Para Clarice, às vezes o trabalho precisa ser maior com os familiares do que com a própria criança. “Muitas vezes a família não sabe como lidar quando a criança recebe o diagnóstico, parece que não existe mais a criança, existe apenas o autista. Deixam de olhar a criança para olhar apenas a doença. É preciso entender que é uma criança, como todas as outras, e não é isso [o diagnóstico] que vai dizer que ela é incapaz, a gente não tem como saber o futuro. Se a gente não aposta nessa criança, qual a função do nosso trabalho?”, questiona.

Eventos

Associação União de Pais Pelo Autismo (Uppa) promoverá no próximo domingo (08) uma caminhada de conscientização do autismo. O evento acontecerá no Parque Barigui, a partir das 11h, e contará com diversas atrações culturais e brincadeiras. Mais informações na página da Uppa no Facebook