CRP-PR participa de audiência pública na Câmara Municipal em defesa da Luta Antimanicomial

Charge desenvolvida a partir da composição da mesa na audiência pública na Câmara Municipal de Curitiba | Crédito: mandato do vereador Goura

O Conselho Regional de Psicologia do Paraná (CRP-PR) participou, em 25 de maio, de uma audiência pública realizada na Câmara Municipal de Curitiba. A iniciativa foi do vereador Goura e contou com a presença de outros parlamentares, representantes de diversas instituições, trabalhadores da área de saúde e usuários dos serviços de Saúde Mental.

O CRP-PR foi representado no evento pelo assessor de políticas públicas, César Fernandes (CRP-08/16715), e pela colaboradora da Comissão de Direitos Humanos, Vanessa Tauscheck (CRP-08/17572). Em sua fala, César destacou a campanha elaborada pela instituição “Saúde não se vende, louco não se prende, quem tá doente é o sistema social” em referência ao Dia Nacional da Luta Antimanicomial, lembrado em 18 de maio. Ele também destacou a importância da resistência e da luta por direitos humanos em um contexto de desmonte e de privatização das políticas públicas de saúde pública, saúde mental e da política sobre drogas.

 

O Psicólogo ressaltou ainda a importância da Luta Antimanicomial e do cuidado comunitário e em liberdade das pessoas com sofrimento mental. “Estamos bastante preocupados, sobretudo com a forma como esse governo federal vêm fazendo a gestão das políticas de saúde mental e também da política de drogas. Nós estamos vivendo sob um ajuste fiscal que é absolutamente incompatível com a produção de políticas públicas. (…) A política nacional de saúde mental dá passos atrás, volta, retroage nos avanços que a gente tinha conquistado, no sentido em que fortalece o investimento em entidades que não são das entidades de rede de atenção psicossocial e fortalece o reinvestimento em leitos nos hospitais psiquiátricos em detrimento do investimento nos equipamentos públicos da rede de atenção psicossocial, que são os CAPS”, afirmou.

“A política de drogas nacional também retroage bastante nos direitos que haviam sido conquistados. A destruição da política de redução de danos que é uma política que avança como uma tecnologia crítica de cuidado expressa uma volta ao entendimento da política de drogas como uma política guiada pela abstinência como único plano terapêutico e isso é um retrocesso. E também fortalece uma noção de que para finalizar o problema com as drogas nós precisamos acabar com as pessoas que usam drogas. (…) É uma política de bastante retrocesso porque expressa na guerra às drogas na verdade uma guerra aos pobres, uma guerra às pessoas que usam drogas, mas não são todas as pessoas, porque existe um corte, uma opção de quem vai ser perseguido por essa guerra e quem não vai ser”, alerta o assessor de políticas públicas.

Vanessa Tauscheck, que também falou pela Frente Paranaense em Defesa da Reforma Psiquiátrica e da Democracia, que o CRP-PR compõe, esclareceu que a frente é solidária à Luta Antimanicomial e que ela espera não escutar mais relatos em que a pessoa passa por privações quando precisa de tratamento no campo da saúde mental.

Também presente no evento, Altieres Edemar Frei (CRP-08/20211), Psicólogo e membro do Colegiado Gestor da Associação Brasileira de Saúde Mental (Abrasme-PR), chamou a atenção para a necessidade de pautar o atendimento em sofrimento mental por coeficientes de alteridade, que estão relacionados com as possibilidades de tolerar as diferenças. “Só os fascistas e algumas igrejas querem que todos pensem da mesma forma e comam a mesma comida”, afirmou.