Campanha Tamo Junto foca em prevenção do suicídio de crianças e adolescentes

O suicídio é a segunda principal causa de morte de jovens entre 15 e 29 anos, segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS). No Brasil, atentados contra a própria vida são a quarta maior causa de morte entre esse público, segundo o Ministério da Saúde. Este problema vem aumentando: de acordo com dados do Mapa da Violência no Brasil, entre 2000 e 2015 houve um aumento de 65% nos casos de suicídio entre jovens de 10 a 14 anos e de 15% na faixa etária de 15 anos a 19 anos. Devido a esta realidade, o Conselho Regional de Psicologia do Paraná (CRP-PR) lança este ano a Campanha Tamo Junto, com o objetivo de sensibilizar jovens e adultos responsáveis para a importância da prevenção do suicídio.

Em qualquer fase da vida, o suicídio é um fenômeno causado por múltiplos fatores. No entanto, a infância e a adolescência são permeadas por dificuldades de relacionamento com amigos, incertezas quanto ao futuro e pelas dores dos primeiros envolvimentos amorosos; em alguns casos, o bullying faz parte desta realidade. Aliado a isso, a diferença de gerações entre os pais e os filhos pode levar a relações mais distantes e àquela sensação de que “meus pais não me entendem”, típica desta fase, especialmente quando as tecnologias permitem contatos menos presenciais. Tudo isso pode contribuir para que o desencadeamento de tentativas de suicídio ou para episódios de automutilação.

A Campanha Tamo Junto traz algumas frases em linguagem jovial, típica das redes sociais e aplicativos de mensagens, mostrando que a vida deve continuar mesmo que o momento seja de tristeza. “Alguém partiu seu coração? Relaxa, o jogo não acabou. Você ainda tem outras vidas”, diz uma das mensagens, acompanhada dos famosos emojis. “Às vezes parece que falo outra língua com meus pais! Mas logo passa, conversando a gente se acerta”, diz outro cartaz.

Conversar, aliás, é o caminho para conhecer melhor as crianças e jovens, principalmente em casa e nas escolas. “Quando um professor é capaz de perceber os sinais, é porque ele é sensível ao discurso do outro. Ele precisa aproveitar essa potência para abrir o canal de comunicação e possibilitar um caminho para se falar sobre a dor, para aliviá-la”, afirma Dione Mehz (CRP-08/05491), Coordenadora do Projeto de Extensão da Universidade Federal do Paraná “Luto e Prevenção do Suicídio”.

Em casa, os pais ou responsáveis podem observar seus filhos e perceber comportamentos diferentes. O Psicólogo Rael Dill de Mello (CRP-08/19246) destaca que o acolhimento deve ser desprovido de julgamentos. “Dar nome para os sentimentos da criança é fundamental. Chamar de tristeza, baixa autoestima, e inclusive perguntar se ela pensa em se matar. Dar forma para isso possibilita significar o que ela sente. Se ela tem um sentimento de frustação e ela não consegue significar, o suicídio acontece pela confusão entre acabar com o sofrimento e acabar com a vida”, analisa.

A matéria completa sobre suicídio entre crianças e adolescentes será publicada na próxima edição da Revista Contato (setembro/outubro).

Onde procurar ajuda?

Centro de Valorização da Vida (CVV): ligue 188 (a ligação é gratuita em todo o país) ou acesse www.cvv.org.br

Atendimento psicológico:

– Você pode conferir a lista de Psicólogas(os) registradas(os) no CRP-PR clicando aqui;

-Também é possível procurar uma das clínicas de Serviço-Escola, que funcionam em universidades e faculdades (acesse aqui a lista de clínicas no Paraná);

– Você também pode procurar atendimento multiprofissional em um Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) ou em uma Unidade de Saúde da sua região.